quarta-feira, 16 de abril de 2008

Um repórter, acima de tudo, por Aurélio Paiva

"Assim que diagnosticou o AVC em Dicler Simões, o médico Jair Nogueira disse-lhe que, hoje, problemas cardíacos estão matando mais, em Volta Redonda, que qualquer outra causa. Reação imediata de Dicler, com a voz arrastada pelo AVC: “Isso dá matéria. Vai entrar na pauta“.

Dicler era assim: jornalista 24 horas por dia. Dormia, muitas vezes, com um rádio-comunicador embaixo do travesseiro ligado nas freqüências de emergência, como polícia e bombeiros. Mais ainda: onde a maioria dos jornalistas via um fato corriqueiro, ele enxergava a notícia. Jamais encontrei, em meus quase 30 anos de profissão, um jornalista capaz de descobrir a notícia com tamanha habilidade. Ou que fosse capaz de apurá-la com tanta riqueza de detalhes.

A notícia, muitas vezes, se esconde como um inseto mimetizado na paisagem. Olhar a folhagem e perceber o bicho-folha camuflado é o desafio do jornalista perspicaz. Dicler Simões não só localizava o bicho ao primeiro olhar como descobria o que o bicho fazia ali e como havia chegado até lá. Se ninguém mais estivesse por perto, ainda arrancava uma entrevista exclusiva com o bicho.

Conheci Dicler quando começava minha carreira, aos 18 anos, ele com seus 40. Fazíamos, cada um para um veículo diferente, a cobertura de um crime em Barra do Piraí. O homem parecia um trator. Buscava informações por todos os lados, anotava detalhes como quem fosse escrever um livro. Descobri, ali, o que era ser repórter e o repórter que eu queria ser.

Repórter. Esta era a profissão de Dicler, acima de tudo. Ele sabia produzir e dirigir jornalismo em televisão, fazer edições em rádio, chefiar a reportagem de um jornal – foi o mais completo jornalista da região. Mas gostava mesmo era de ser repórter, de estar nas ruas, de apurar as notícias, de contar uma história. O furo de reportagem era seu objetivo constante. Vibrava, com a verve de um iniciante, pela conquista de uma manchete como se este fato, corriqueiro, fosse excepcionalidade. Era um apaixonado pela notícia.

Trazer Dicler Simões para o DIÁRIO DO VALE (ele esteve conosco desde a fundação do jornal) não foi tarefa fácil. Ele chefiava o jornalismo do Sistema Sul Fluminense de Comunicação. Eu sabia que propostas financeiras em si não bastariam, pois Dicler sempre viveu do entusiasmo jornalístico e da valorização dos laços de amizade. Comecei passando-lhe o entusiasmo: puxei uma pilha de papéis rabiscados à mão e mostrei o rascunho do projeto do DIÁRIO DO VALE. Pedi que me ajudasse a transformar aquele rascunho em um projeto. Passamos a noite na casa dele, tomando uísque, discutindo aquele projeto inédito de criação de um jornal diário da região.

Dicler se entusiasmou, mas o mais difícil foi convencê-lo que deixar o Sistema Sul Fluminense não abalaria a amizade com o dono da rede, Feres Nader. Além de carismático, Feres sabe conquistar amigos. Dicler foi um deles. Os dois trabalharam juntos por 30 anos e Dicler sempre teve um carinho muito grande por Feres. Custei, mas consegui convencê-lo, de que sua saída daquela empresa não significaria o rompimento com o amigo.

Felizmente Dicler veio, então, para o projeto DIÁRIO DO VALE. Deu ao jornal a alma jornalística sem a qual o DIÁRIO DO VALE jamais teria se tornado o que hoje, 15 anos depois, representa para a região como veículo de comunicação. A amizade com Feres continuou, sólida como antes, e conquistou aqui novos amigos, entre os quais tenho a honra de figurar.

Um homem que sabe fazer amigos e que faz a diferença profissionalmente não passa jamais. Fica marcado entre os amigos que recontam suas histórias e eternizado pelas suas realizações. Não importa em quão distante futuro, jamais uma geração poderá falar de jornalismo na região sem lembrar do pioneirismo que representou o nome de Dicler Simões de Souza."

Aurélio Paiva é Diretor-Presidente do DIÁRIO DO VALE

quarta-feira, 12 de março de 2008

Olha eu na TV

Estava eu, de "foca" fazendo umas fotos de um Promotor na Sede do Procon aqui em POA... E acabei sendo filmada no fundo do entrevistado. Ficou bem engraçado!

Veja aqui

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Tele UCPel ONLINE - PARTE II

Tele UCPel ONLINE - PARTE I




Esse foi um PodCast... Mas como estou aprendendo, o final não pôde ser publicado junto, mas foi um trabalho muito interessante. adorei fazer!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Resenha do Livro O Clube dos Anjos: GULA – Série Plenos Pecados – De Luis Fernando Veríssimo


O Clube dos Anjos é uma comédia que conta a história de dez homens que se entregam por completo ao prazer da GULA. Ramos, Abel, João, Marcos, Saulo, Paulo, Pedro, Samuel, Daniel e Tiago se reuniam, quando adolescentes, no Bar do Alberi, para comer o picadinho de carne com farofa de ovo e banana frita. E assim fundaram o Clube do Picadinho, que, durante 21 anos, se reuniam mensalmente para jantares cada vez mais sofisticados, mas o fim foi a morte de cada um dos membros do Clube.

Daniel, o próprio autor, é quem narra a história, pois ele é o único sobrevivente do Clube, além de Lucídio, o cozinheiro e executor dos crimes. Os dois se conheceram num café de um shopping, na época o clube do picadinho já tinha perdido o tesão pelos jantares, principalmente pelo fato da morte de Ramos, que fora substituído por André. Mas Lucídio reavivou esse grupo, com suas histórias da sociedade secreta que treina gourmet para o preparo do peixe venenoso Fugu, e com seus deliciosos pratos, que a cada jantar mensal, era preparado. Um menu especial da preferência para um dos membros era preparado em cada jantar. Todos feitos por Lucídio e na casa de Daniel. Ao final, sempre sobrava apenas mais uma porção. Sem hesitar, aquele que tinha a preferência pelo prato do mês, era o que comia essa última porção e morria envenenado.
Mesmo depois de tantas hipóteses, mesmo com as certezas de que Lucídio os envenenava, um a um, pelo prazer da gula, o tesão de correr o risco valia a pena.


Eles perderam tudo, eram fracassados, e sabiam que, a cada janta, era um a menos. Ao final, já se sabia quem ia morrer, e eles próprios planejavam seus velórios após comerem a fatídica última e única porção de seu prato favorito. O que só Daniel, Samuel e Tiago ficaram sabendo, foi o porquê das mortes. Samuel envenenou Ramos, a pedido dele, pois o mesmo estava com AIDS. Lucídio, seu amante de Paris, quis vingança, e assim matou a todos que Samuel amava: os membros do Cube do Picadinho, para depois mata-lo por último.

E o livro termina com uma proposta feita a Daniel e Lucídio, de organizar jantares e festas para pacientes terminais, e matá-los com seus prazeres, fosse à gula, o sexo, etc.

Luis Fernado Verissimo é um excelente e criativo escritor. Neste livro ele ironiza o desejo de comer misturado ao prazer, ao tesão de saber que ao se entregar a este pecado, o resultado é a morte. A trama deixa o leitor aflito e curioso, pois as mortes vão acontecendo, e as hipóteses vão sendo criadas, porém a verdade só é revelada nas últimas páginas, o que causa uma grande hilária surpresa ao leitor. As citações de Shakespeare (Rei Lear) durante os capítulos do livro, dão uma sensação de suspense.

Ato quatro, cena um: “Como moscas para meninos maus somos nós para os deuses, eles nos matam para seu divertimento”. Este é o mistério do livro: o clube do Picadinho são as moscas, Lucídio e Samuel são os meninos maus.

Veríssimo dá várias pistas do mistério, dicas como a de que Ramos era amante de Lucídio, e muito amigo de Samuel. E o ódio entre os dois (Lucídio e Samuel) era evidente, além das citações de “Rei Lear” que eram feitas pelos dois como se fosse combinado, mas sem que um olhasse para o outro. Mas o fim, particularmente para mim, foi surpreendente. Mais surpreendente ainda foi a descrição do desejo de comer e morrer, que fora perfeitamente escrito na frase da sinopse do livro: “Não é todo dia que se quer ouvir uma crocante fuga de Bach, ou amar uma suculenta mulher, mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba, o poder acaba, mas a fome continua.”

SHOW DE TANGO E FLAMENCO ENCANTA A NOITE DE SEXTA-FEIRA (13)




No dito popular, sexta-feira 13 é sinônimo do “dia do azar”, porém para os pelotense, essa última sexta-feira 13 foi um grande dia, ou melhor, uma grande noite em que o violonista Gahuer Carrasco apresentou seu espetáculo “Tango e Flamenco” no Theatro Sete de Abril, às 21h00.

Gahuer é um fenômeno na música erudita que tem tido destaque nacional e internacional. Em sua recente turnê pelo México, ele foi homenageado pelo Governador do Estado de Hidalgo e recebeu um convite para interpretar um concerto como solista da Orquestra Sinfônica “Del Estado de Hidalgo”, e da “Camerata Amadeus”, ambas do México. No Uruguay apresentou-se no antigo palácio do governador, “Cabildo de Montevidéu”. Em São Paulo, Gahuer teve o reconhecimento de grandes nomes de críticos e músicos do país.

Em sua carreira, Gahuer destaca a concretização, em 2003, da Orquestra Típica de Nuevo Tango, “Quinteto Libertango”. E em 2004, o Projeto “FlamenTango”, composto pelos instrumentos piano, violão, violino, contra-baixo, bandoneon, percurssão, canto e dança. Nele, Gahuer atua como solista e maestro.

Campeão de inúmeros prêmios musicais, Gahuer Carrasco, iniciou seu aprendizado aos 14 anos, que culminou com a conclusão do Curso Superior de Música, bacharelado em violão, quando obteve o 1º lugar com Menção Honrosa pela UFPel. Violonista, natural de Jaguarão, ele possui grande virtuosidade e expressão que tem conquistado o mundo com sua música erudita, porém não elitizada.


Em seu show “Tango e Flamenco”, Gahuer interpretou músicas de grandes compositores de sucesso, como William Wolton, Máximo Pujal, Joaquin Rodrigo, entre outros, e foi acompanhado por convidados especiais: Sônia Cava, Mestre em piano, Solista e Camerista do Instituto de Artes e Designer (antigo ILA), e professora de piano no Conservatório de Música de Pelotas; Jucá de León, percursionista conhecido nacionalmente, e que trabalha acompanhando grandes nomes da música; Posidoneo Tavares, grande amigo e tido como um “gênio musical” por Gahuer, que tocou violão e bandoneon; Dançarinos da Cia da Dança com flamenca e tango; e Winston Pereira, pai de Gahuer, que proclamou a bela poesia, do poeta G. Mattos Rodriguez.

Gahuer emocionou a platéia que retribui com inacabáveis aplausos. Seu show ficou marcado na memória de cada um que teve o prazer de inebriar a mente ao som de instrumentos que mostraram os movimento LiberTango e FlamenTango.


Leia o Poema "La Cumparsita", de G. Mattos Rodriguez